POEMAS

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Das cores, a minha
Das cores, a minha
Niellem Rodrigues
Niellem Rodrigues
Da minha pele, a dor
da minha carne, os cortes
da minha vida, os troncos
dos troncos, meu martírio

Senhores algozes do meu passado
rasguem-se por dentro
aqui estou, daqui eu sou

Um lembrete dos meus antepassados
ancestrais do tempo
humilhados, torturados
dos açoites e do abatimento
livres nos fizeram

Para lá não sou obrigada a voltar
aposentem seus navios negreiros
minha cor vai passar por cima do mar
aposentem os aposentos dos negros
a senzala abandonamos

A minha cor vai ocupar
os espaços negados
por séculos julgada como a pior raça
agora é hora de ser médica
advogada, juíza, professora
e ascender ao topo

Tu não vai acreditar, moço
mas a nega escreve e vai relatar
todos os seus abusos
eu não queria estar na sua pele

Sou eu, a musa de pele de carvão
que os senhores desposavam
sem valia
agora ouça o grito da neguinha
e mostre reverência

Segura o desaforo
e engole o choro
sempre disse que a nega era abusada
pois comprovou
abusada eu sou e abusada sempre serei

Mas meu grito ecoa cá
o meu grito ecoa lá
deixemos então
a nega passar
Da minha pele, a dor
da minha carne, os cortes
da minha vida, os troncos
dos troncos, meu martírio

Senhores algozes do meu passado
rasguem-se por dentro
aqui estou, daqui eu sou

Um lembrete dos meus antepassados
ancestrais do tempo
humilhados, torturados
dos açoites e do abatimento
livres nos fizeram

Para lá não sou obrigada a voltar
aposentem seus navios negreiros
minha cor vai passar por cima do mar
aposentem os aposentos dos negros
a senzala abandonamos

A minha cor vai ocupar
os espaços negados
por séculos julgada como a pior raça
agora é hora de ser médica
advogada, juíza, professora
e ascender ao topo

Tu não vai acreditar, moço
mas a nega escreve e vai relatar
todos os seus abusos
eu não queria estar na sua pele

Sou eu, a musa de pele de carvão
que os senhores desposavam
sem valia
agora ouça o grito da neguinha
e mostre reverência

Segura o desaforo
e engole o choro
sempre disse que a nega era abusada
pois comprovou
abusada eu sou e abusada sempre serei

Mas meu grito ecoa cá
o meu grito ecoa lá
deixemos então
a nega passar

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