Ferreira Gullar dizia que “a arte existe porque a vida não basta”. Como conceber, então, uma vida sem poesia? Respirar, comer, beber, trabalhar e amar nem sempre dão conta do que julgamos necessário para sermos livres e felizes. E como os caminhos para a liberdade e a felicidade não costumam ser simples, é fundamental que eles sejam adornados com versos, cores e encantos, e permeados por reflexões, debates e descobertas. Mas é bom lembrar que a poesia não se prende a propósitos definidos, não se presta a uma função, não é utilitária. E, não sendo obrigada a ser uma coisa ou outra, torna-se livre e capaz de libertar.
É nessa vibração que foi lançada, ainda no começo de 2020, a Poesia Libertadora, uma antologia surgida a partir do primeiro concurso literário promovido pela Absurtos Editora
e com o propósito de reunir vozes diversas de todo o Brasil. Desse encontro, que tem saltado das páginas para a vida, espera-se dar visibilidade aos autores e apontar uma direção para novas publicações poéticas.
Do soneto ao cordel, passando-se pelos versos livres da poesia moderna e contemporânea, essa obra é o primeiro alumbramento da Absurtos, que editou cada detalhe, da epígrafe ao colofão, mergulhada na “Poética” de Manuel Bandeira, “poemanifesto” que defende a liberdade na poesia e que faz parte do livro Libertinagem, de 1930.
Dos 109 poetas integrantes da antologia, representando todas as regiões do país, faixas etárias e formas literárias, pelo menos 14 deles estiveram na capital paulista em 18 de janeiro, na Patuscada – Livraria, bar & café, para o evento de lançamento, vindos de Goiás, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro, além de São Paulo. Foi uma tarde para trocar abraços, autógrafos, versos e estabelecer novas amizades.
Isabela Bosi, Adriano Girelli e Kamilly Barros receberam as medalhas de 1º, 2º e 3º lugares, respectivamente, referentes ao Prêmio Absurtos de Poesia 2019. Danilo Giroldo e Leandro Bianchi, dois dos três empatados na 3ª colocação, não puderam estar presentes, mas receberão suas medalhas em momento oportuno.
De livro na mão, sorriso no rosto e microfone aberto, todos foram chamados a ler seus poemas para amigos, familiares e demais convidados. E da convergência entre a poesia e o afeto, nasceu a vontade de realizar novos encontros, organizar saraus e outros projetos coletivos. Os planos para a Poesia Libertadora
e seus desdobramentos vão além da publicação impressa. Em breve, será lançada a versão em e-book. E ainda neste semestre, a Absurtos
anunciará seu segundo concurso literário.
Enfim, a arte existe, a vida resiste e a poesia continua a libertar.
Confira imagens da festa de lançamento em nossa galeria, clicando aqui. (Fotos de Renata Moraes, instagram: @remoraes_fotografia).